Do Joystick ao Troféu: As Duas Faces de Quem Vive o Game
- forumfdc
- Dec 17, 2025
- 3 min read
Enquanto para a analista de dados Stephanie o jogo é refúgio, para o pro-player MAIA, da Team Liquid, o videogame é sinônimo de alta performance e pressão.
Para muitos, ainda é apenas um brinquedo. Uma distração. Mas a realidade é que os videogames se transformaram em uma força cultural e econômica que redefine carreiras e molda rotinas. A indústria de games já fatura mais que cinema e música somados, mas seu maior impacto não está nos números, e sim nas vidas que ela transforma. Do hobby no sofá à profissão que paga milhões... Como os jogos eletrônicos mudaram, de verdade, a vida das pessoas?
Para entender esse universo, conversamos com quem vive o game de formas completamente opostas: Stephanie, uma analista de dados que encontra nos jogos sua válvula de escape, e Gabriel "MAIA", atleta de Rainbow Six Siege da Team Liquid que transformou o 'play' em profissão.
A história de Stephanie reflete a de milhões de brasileiros. Segundo a Pesquisa Game Brasil, mais de 70% da população joga algum tipo de jogo eletrônico. Para essa maioria, o game é um 'terceiro lugar': um espaço social que não é nem a casa, nem o escritório, mas um refúgio digital onde é possível relaxar após um dia lidando com números e planilhas complexas.
“Eu comecei a jogar videogame muito tempo atrás, né, na época do Nintendo 64 ainda, então a gente tinha que juntar todo mundo, uma galera na casa de alguém para poder jogar, porque antigamente não era tão acessível quanto é hoje em dia. E isso acabou criando também um laço de amizade com a galera, sempre que a gente juntava todo mundo para jogar e até hoje em dia nos encontramos no Discord, a gente marca, vai jogar todo mundo junto, mesmo que na casa de cada um, jogamos todos juntos.”
Mas e quando o hobby vira uma carreira de alta performance? Se para a analista os jogos são um alívio, para MAIA, eles são a fonte de uma pressão diária. Aqui, o videogame deixou de ser diversão para se tornar um trabalho que exige disciplina de atleta olímpico.
“Cara, por incrível que pareça, eu sempre fui muito amante dos jogos, eu sempre gostei muito de jogar e quando eu descobri que era possível viver disso. Foi uma grande surpresa, né? E desde então tenho me dedicado bastante e posso dizer que mudou bastante a minha vida. Eu tive a oportunidade de conhecer vários países, conhecer outras culturas e conhecer pessoas novas. Acredito que realmente foi a melhor coisa que me aconteceu foi ter me tornado um cyber atleta.”
A rotina de Gabriel na Team Liquid quebra qualquer estereótipo de sedentarismo. São horas de análise tática, treinos de reflexo, preparação física na academia e acompanhamento psicológico constante para lidar com a cobrança por títulos. É uma carreira curta e intensa, onde apenas os mais dedicados chegam ao topo.
Na essência, a ferramenta é a mesma: um controle, um teclado, uma tela. Mas o que ela representa muda tudo. De um lado, com Stephanie, o alívio. Do outro, com MAIA, a pressão
por performance.
Seja como terapia ou carreira, os videogames criaram um novo capítulo na forma como nos conectamos. Uma prova de que, no mundo digital ou real, o que todos buscam é o mesmo: um propósito, uma comunidade e, claro, um pouco de diversão.
A Central de Notícias da Rádio Tucuruvi é uma iniciativa do Projeto “Tropicalismo e a música brasileira!”. Este projeto foi realizado com o apoio da 9ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária Para a Cidade de São Paulo.

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