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MPB: a transformação da Música Popular Brasileira na atualidade

  • forumfdc
  • 3 hours ago
  • 4 min read

Como novas estéticas trazem um novo público para valorizar cultura nacional sem perder a essência da “velha guarda”

 

por Luiza Borgli

 

A Música Popular Brasileira, popularmente conhecida como MPB, é o reflexo sonoro da nossa nação, refletindo de forma sonora nossas regionalidades, histórias, sentimentos, costumes e valores de maneiras diversas. O gênero musical tem influência direta do Jazz e da música clássica, mas possui a capacidade de pegar sons de fora e "abrasileirar" o que proporciona uma identificação por parte do público. Além disso, suas letras apresentam metáforas, poesia e crítica social acompanhando o tempo e as inquietações da sociedade brasileira.

 

Quando surgiu em meados da década de 1960, a MPB represou encontro da tradição com a modernidade e até hoje é um símbolo de luta e ruptura de padrões e das ideias quadradas de uma época. O próprio Chico Buarque disse "A MPB é o nosso jornal. É onde a gente conta a história que o governo não quer que conte". Já para o artista Flávio Delli lançou recentemente lançou o single “8 de Janeiro / Quem te viu, quem te vê”, que inclusive teve o apoio de Chico para inserir o refrão de sua música ao projeto, conta que, para ele, o gênero músical é essencial para refletir o cotidiano e para onde vamos como sociedade:

 

Tem aquela frase que o artista tem que refletir o próprio tempo e eu acho que um dos trunfos da MPB é que ela tá sempre refletindo o próprio tempo. Ela nunca traz assuntos banais ou fórmulas. Acho que historicamente MPB parece que sempre toca em assuntos que nenhum outro gênero toca. Acho que isso é uma das coisas que eu mais gosto na MPB”

Mesmo com um ressurgimento da MPB, através de artistas como Flávio, Jota.pê e Rubel, a velha guarda diz que "a MPB morreu", mas a verdade é que ela apenas trocou de pele. Projetos como "Bossa Sempre Nova" de Luísa Sonsa, que conta a parceria de  Roberto Menescal e Toquinho e faixas clássicas como "Consolação" e "Águas de Março" até produções 100% originais com Caju de Liniker, que trazem uma nova roupagem para o estilo de música, vem ganhando reconhecimento interno e de premiações exteriores, a exemplo do Grammy, e trazem um novo público para MPB. Segundo o cantor e compositor brasiliense, Flávio Delli, em meio novas texturas e sons, as letras também vão acompanhar e assim como a cultura nacional, vão começar a ser mais valorizadas pelo público:

“ as minhas referências são tanto a MPB quanto a literatura. Eh, quem conhece meu trabalho sabe que as letras são uma preocupação muito grande para mim. Eh, o cuidado tanto artesanal, quanto em relação ao discurso, ao que eu tô dizendo. E eu tenho gravado uma série de vídeos para mostrar essas pequenas referências que às vezes as pessoas não notam nas minhas músicas. Às vezes uma referência, por exemplo, é uma música do Chico.Às vezes uma referência a um conto do Machado de Assis que pouca gente pegou. Aí às vezes um ou outro fã pega e comenta lá e o pronto. É É exatamente isso.Então, e aí até vem um ponto para refletir um pouco da música brasileira atual, que eu acho que talvez vá vir um movimento de revalorização tanto da letra quanto do discurso da canção, que era muito forte ali na na primeira MPB, digamos assim, dos anos 60 70 e não tem sido tão explorado hoje em dia.O foco tá mais em em rítmica, em eh texturas, em harmonias e e eu acho Eu gosto muito, eu acho que há uma tendência futura aí da gente revalorizar o texto, a palavra cantada dentro da música brasileira.”

 

O próximo disco de Flávio, Vai pela Sombra, marca a primeira vez que o artista torna pública uma composição com viés político e aborda temas como os atos de 8 de janeiro, a homofobia e a não monogamia. O álbum propõe um olhar honesto para as próprias contradições e “sombras”, entendidas pelo artista como aspectos reprimidos que, quando não reconhecidos, tendem a se manifestar de maneira violenta, seja no extremismo ou no ódio contra minorias. Isso mostra que embora o público busque novo estilo estético, a essencia de contemplar o que é nosso e agora que vivemos não se perde na MPB.

 

Contudo, importante não é só se identificar com o que é nosso, mas valorizar. Segundo dados do Spotify, a playlist oficial da plataforma "MPB" possui aproximadamente 1,4 milhão, já a música internacional, por ter um alcance global, opera em uma escala numérica muito superior à MPB. A playlist que melhor representa esse grupo é a "Today's Top Hits", Focada nos maiores sucessos globais do momento, como Bruno Mars, Taylor Swift, The Weeknd,  tem aproximadamente 35 milhões de ouvintes.

 

Para ouvir Música Popular Brasileira em São Paulo é só respirar. Ela está ao Vivo no Circuito SESC, Casas de Show Alternativas, Bares e Centros Culturais Gratuitos: O Centro Cultural São Paulo (CCSP) e as Casas de Cultura. Além disso, ela não está só na Internet, como também na TV e na Rádio, que desde sua Era de Ouro torna o Samba e as marchinhas o som do Brasil, e descobre nomes da música que se tornam ícones do nosso país, que vão desde Carmen Miranda a Chico Buarque, Elis Regina e Milton Nascimento. Se você está em São Paulo e quer fugir das batidas repetitivas do mainstream, o sintonize 87,5 FM e vem ouvir o melhor da MPB.

A Central de Notícias da Rádio Tucuruvi é uma iniciativa do Projeto “Tropicalismo e a música brasileira!”. Este projeto foi realizado com o apoio da 9ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária Para a Cidade de São Paulo.

 
 
 

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